TRANSCRIÇÃO

Homenagem ao Embaixador Benedicto Fonseca durante reunião ordinária do CGI.br

14 de dezembro de 2018


Maximiliano Martinhão
: Você sabe que é difícil fazer uma homenagem. Para mim é algo fácil de falar, mas é difícil sintetizar toda a contribuição que o embaixador Benedicto deu no CGI para o nosso país, defendendo os interesses da internet brasileira nos fóruns internacionais, em particular no ICANN, mas também nos fóruns governamentais aos quais ele participou. E eu posso dizer que não é comum, posso afirmar, dentro do Itamaraty, que alguém se dedicar com tamanha energia, tal qual o Benedicto abraçou nesse debate digital há bastante tempo. Entramos praticamente juntos no CGI, eu e o embaixador. Chegamos na mesma época praticamente. Conhecia o embaixador já de outras atuações, na área da televisão digital, no Ministério das Comunicações, e ele sempre muito atuante, muito estudioso, sereno. Sempre acessível. E como é do feitio da profissão dele, sempre ouviu todas as diferentes posições que existiam dentro dos diferentes debates dos quais ele participou. E eu posso também assegurar que o embaixador Benedicto, dentro dos membros de governo, talvez seja o que mais tenha compreendido e mais tenha apoiado o modelo multistakeholder. E falo isso inclusive registrando que o Virgílio também tinha um papel muito importante nisso, mas eu – modéstia à parte – faço voz de que o maior defensor da ideia do multissetorialismo dentro do governo em todo esse passado recente foi o embaixador Benedicto. E fazendo isso tudo da maneira que mencionei, debruçado sobre os temas, com bastante equilíbrio, sempre muito acessível. O Glaser me mencionou isso, era algo que sabíamos que aconteceria em algum momento, mas que não esperávamos que aconteceria. E aconteceu. Aconteceu, tenho certeza, da melhor maneira para o futuro da carreira do embaixador Benedicto, porque ele assim merece. Mas uma perda para nós. Perder essa pessoa, esse profissional que tanto apoio nos deu nos diferentes debates. A gente preparou uma pequena lembrança, embaixador, mas é uma lembrança que tenho certeza que é do coração e respeito de todos os conselheiros presentes hoje, e de todos os que o conheceram durante o seu tempo no comitê gestor. Eu fico muito feliz de ter participado com o senhor dos diferentes debates. Tenho certeza que não é uma opinião só minha, mas também do Ministro Kassab e de todos os ministros com os quais o senhor se relacionou. Posso assegurar isso. De forma que é com tristeza, mas também com bastante alegria, que eu vejo, de esperança renovada, que o nosso Itamaraty tem pessoas de tamanho calibre como o senhor para defender os temas internacionais do nosso país. Eu desejo sucesso na sua nova empreitada. Espero poder visitá-lo lá em Boston. Tomar um café com o senhor na função de embaixador in loco nos Estados Unidos.

Embaixador Benedicto Fonseca: Será um prazer.

Maximiliano Martinhão: Espero ter essa oportunidade de encontrá-lo lá. Muito obrigado, embaixador. Muito obrigado pela sua serenidade e todo seu trabalho ao longo desses anos. Não só no CGI, mas também o senhor sabe que tivemos oportunidade de discutir outros temas, e sempre foi muito prazeroso. Eu aproveito – e sei que a gente não previu isso Glaser, mas eu gostaria de fazer outra sugestão: que nós rascunhássemos uma carta e enviássemos ao embaixador gaúcho, que também na função de chefe – ou líder, não sei como funciona dentro do Itamaraty – foi também uma pessoa que deu um enorme apoio às pautas do CGI dentro do Itamaraty, e que eu sei também que deve estar se movimentando. A gente não falou disso hoje, mas acredito que seria um reconhecimento importante o CGI enviar uma carta de agradecimento também ao embaixador gaúcho. Muito obrigado novamente, embaixador Benedicto, por todos esses anos que trabalhamos juntos, sucesso lá em Boston na sua nova empreitada. E a gente estará por aqui, abraçando as causas do desenvolvimento da internet no Brasil, e onde quer que estejamos, pode continuar contanto conosco. Um abraço.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Max. Antes de passar a palavra ao embaixador, que vai falar o final, e antes de convidar a todos a dar sua palavra, eu queria entregar essa homenagem que faz o CGI. E eu vou ler aqui: “essa homenagem especial que faz CGI ao embaixador Benedicto Fonseca Filho, em reconhecimento por sua competente contribuição ao desenvolvimento da internet no Brasil, e por sua indispensável atuação internacional em temas relacionados à governança da internet. Nossos sinceros agradecimentos e eterna amizade, CGI.br, dezembro de 2018”. Por gentileza. Eu queria convidar a Francilene para fazer a entrega. Pode ser, Francilene? Porque eu vou dizer o seguinte: eu sei que os dois têm especial apreço do Ministro Kassab, que sempre fala muito bem dos dois. Por gentileza.

Francilene Garcia: Prazer, uma honra, embaixador. Dizer que desde a época que nos conhecemos em relação ao Brasil-Canadá e outras ações, já lhe admirava bastante. Acho que esse Comitê talvez tenha tido o melhor exemplo da qualificação do MRE, aqui, com a sua presença.

Embaixador Benedicto Fonseca: Muito obrigado.

Maximiliano Martinhão: Põe o áudio para eu poder escutar, por favor.

Francilene Garcia: Desculpe Max. Na verdade, eu disse que é uma honra poder entregar aqui em nome de todos nós conselheiros, sobretudo porque desde que eu o conheci na época do Brasil-Canadá, quando começamos aquela empreitada lá atrás em função do programa de transformação digital canadense em governo eletrônico, e que havia todo um interesse de interação com o Brasil quando conheci o embaixador Benedicto. Sempre foi extremamente admirável ver o trabalho que ele fazia. E eu acho que o embaixador, como você já disse, reforça quando a boa qualificação do MRE está junto – e é o caso deste comitê – a gente consegue avançar muito melhor. E eu acho que esse foi o papel dele, significativo. É o que fica.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Francilene. Antes de passar a uma rodada, como temos por hábito aqui, eu queria fazer uma homenagem pessoal, e até tem uma pequena leitura aqui que eu queria fazer. Tive o prazer de conhecer o embaixador no Itamaraty, mas já vinha recomendado pelo ministro. Temos amigos em comum na diplomacia que falam muito bem dele, que o conhecem há muito tempo. Mas existe uma palavra que aprendemos quando estudamos direito, presente em uma regra no código de ética que diz o seguinte: “os advogados devem tratar os demais advogados, colegas, juízes e promotores com lhaneza”. Palavra antiga, de difícil materialização para gente. Aí você vai ao dicionário e diz o seguinte: lhaneza é a característica de alguém que é lhano, ou seja: é sincero, franco, afável, delicado, simples, amável e despretensioso. Eu diria o seguinte: isto é a lhaneza [fazendo referência ao Embaixador Benedicto Fonseca]. Então, que honra ter conhecido o senhor, que honra ter tido a oportunidade de trabalhar e aprender com o senhor. Se todos fossem como você, que alegria viver. Então é um prazer imenso, muito obrigado, e é uma honra. Que comece Sérgio Amadeu…

Sérgio Amadeu: Embaixador Benedicto, apesar de localizado aqui na extrema-direita, e quero trazer a você um caloroso abraço, e acredito que o que você fez nessa jornada foi mostrar que temos um equívoco de origem no Comitê Gestor da Internet, que é não ter a presença formal, como conselheiro, do Ministério da Relações Exteriores. E mesmo não tendo isso, com toda articulação que o CGI fez, o próprio professor Glaser, o Demi, enfim, tem essa participação do MRE que é fundamental, porque todo embate que nós tivemos – e certamente ainda teremos – mostra que a nossa diplomacia tem uma qualidade fundamental, uma qualidade que o senhor expressa de uma maneira muito digna. E acredito que o seu trabalho – por isso que insisti – deve ficar registrado aqui, e espero que consigamos fazer com que ele continue. Eu falo isso aqui, deveria estar só fazendo uma homenagem ao senhor, mas eu espero que nossa diplomacia continue com a trajetória que tem, e espero que quem seja destacado para estar aqui com a gente tenha a sua conduta, que para mim é exemplar. O senhor está de parabéns. Aprendi muito com tudo isso, e espero que o senhor tenha um grande sucesso, porque o sucesso do senhor nos Estados Unidos de certa forma é um sucesso do nosso país também. Parabéns.

Marcos Dantas: Bem. A palavra da moda hoje, lugar de fala. Do meu lugar de fala, estou à esquerda. Nesse momento, embaixador, estou lendo um livro cujo título é Digital Platforms, Imperialism and Political Culture, Dal Yong Jin. E faz um ano ou dois eu orientei um TCC, um trabalho de fim de curso de graduação, em que estimulei a aluna – e ela aceitou o estímulo – a estudar a geopolítica da internet. E como disse aqui o professor Sérgio Amadeu, o Itamaraty, Relações Exteriores, tem um papel central hoje nessa discussão. Porque dentre outras tantas dimensões da internet, uma delas é a dimensão geopolítica. Internet é um espaço de exercício de poder por parte de alguns países – ou de um país – dentro de um novo grande arranjo internacional, em que alguns países exercem o controle, ou tentam exercer o controle internacional, e outros, de alguma maneira, se sujeitam, ou resistem, ou enfrentam essas relações de poder assimétricas. Tremendamente assimétricas. E não é de hoje, evidentemente, é apenas uma nova etapa. E penso que, nisso, pelo que vimos do seu trabalho aqui no CGI, pelo que vimos do seu trabalho nos vários fóruns da internet, pelo que eu pude muito aprender com o senhor nos seus relatos, discussões e conversas pessoais, quando tivemos a oportunidade, é que o senhor tem efetivamente mostrado como é necessário e como é possível que um país como o Brasil exerça sua posição, ocupe seu espaço, tenha a sua autonomia para expressar seus interesses, e inclusive fazer com que seus interesses possam ser também os interesses coletivos de uma importante comunidade internacional. Como nós vimos lá em Barcelona, naquele momento em que o senhor estava cercado de vários outros representantes, que ali tentavam construir um consenso, em que o Brasil, na sua pessoa, era o articulador e o elemento central nessa construção. Acho que, realmente, como disse o nosso coordenador: é uma perda, mas evidentemente para sua carreira é uma nova etapa, que será mais uma vez vitoriosa. Eu fico muito grato. Foi certamente um privilégio ter convivido com o senhor aqui. Muito obrigado.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, professor. Tanara.

Tanara Lauschner: Queria dizer que para mim também foi um prazer e uma honra conviver com o senhor, apesar do pouco tempo que tivemos aqui no conselho. Mas dizer que eu aprendi muito, não só nas reuniões formais, mas também nas nossas conversas informais. E lhe desejo muito sucesso nesses novos desafios. Com certeza o consulado lá em Boston terá um grande representante, que fará um excelente trabalho. E desejo o sucesso, como já disse, e registrar a honra que eu tive em trabalhar junto com o senhor, que é um grande vencedor na sua vida, não só particular, mas também na sua carreira. Obrigada.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Tanara. Thiago já falou, quer falar de novo?

Thiago Tavares: Não. Não vou me alongar. Eu já falei, é verdade, não vou me alongar mais, tem muitos colegas que querem falar. Apenas para fazer uma sugestão. Eu quero crer que a escolha de Boston, embaixador, não tenha sido por acaso. Ao redor de Boston estão as melhores universidades do mundo, inclusive centros de pesquisa, como o Berkman Center, entre outros, que estudam governança da internet. E eu espero que toda essa trajetória que o senhor construiu possa, de alguma maneira, em algum momento, não só continuar, mas talvez gerar uma publicação, um livro, ou subsidiar futuras pesquisas. Então é uma palavra de estímulo para que o senhor pensasse a respeito. Nós tivemos aqui o nosso ex-coordenador, professor visitante em Harvard, e o senhor certamente teria muito a contribuir além do seu posto no consulado, mas também na academia. O senhor demonstrou, por reiteradas vezes, um altíssimo nível de sofisticação intelectual e acadêmica, e isso é apenas uma palavra de estímulo para que o senhor pense a respeito. E também sugerir que, na transição, se houvesse a possibilidade ao novo representante do Itamaraty, ao ser indicado, que o embaixador Benedicto fosse convidado para acompanhar essa transição, até para ajudá-lo a entender os temas e pautas em que o Itamaraty esteve extremamente envolvido por tantos anos aqui no CGI. Muito obrigado mais uma vez.

Luiz Fernando Castro: Obrigado Thiago. A gente poderia criar o cargo de embaixador honorário do CGI. A gente vê isso. Vinicius, por gentileza.

Vinicius de Faria Silva: Infelizmente só conheci o embaixador pessoalmente ontem. Mas já foi uma honra ter falado com o senhor ontem, conhecer um pouco mais do histórico do senhor nesse trabalho, apoiando o CGI e desejo todo sucesso ao senhor lá nos Estados Unidos, em Boston. Já morei na região de Boston, estarei por perto. Baterei no consulado qualquer hora dessa também. Grande abraço, sucesso ao senhor.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Vinicius. Henrique.

Henrique Faulhaber: Embaixador, foi um prazer conviver contigo esses anos que estamos juntos, aprendi bastante. Fica até difícil falar depois que o Luiz Fernando lembrou do significado da palavra lhaneza, que realmente acho que representa de maneira bastante fiel as características, as qualidades que a gente tem visto no seu trabalho. Mas eu queria acrescentar algumas, se é que elas não estão contidas na definição de lhaneza, mas que eu pude conviver com a sua habilidade em lidar com os assuntos mesmo quando delicados, com um empenho extraordinário, profissional. Genuína gentileza. Coerência muito grande. E com espírito público. Então acho que a sua presença aqui estabeleceu um referencial importante para a participação de futuros membros do Ministério de Relações Exteriores, e muito nos honra ter conhecido e trabalhado com o senhor. Muito obrigado.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Henrique. Otavio.

Otavio Rodrigues: Embaixador, meus caros colegas. Eu tenho absoluta convicção de que o senhor, por dever de ofício, já tem passado por algumas cerimônias como essa, de despedida ou saudação. Até por sua atividade profissional, isso se torna algo usualmente corriqueiro. E ao seu tornar corriqueiro, ao se tornar ordinário, perde um pouco do calor das palavras e da profundidade dos sentimentos. Pelo que eu já ouvi dos meus colegas e tenho certeza de que ouvirei, esta ocasião tem tudo para ser diferente em relação a essa “ordinarização” de demonstrações de respeito, afeto, ou de despedida. São muitos anos aqui no conselho. São muitos anos dedicados a um tema, e a um tema que mereceria ter mais membros da burocracia brasileira a ele envolvidos. Uma pena que não sejam tantos. Mas os que são, são muito qualificados. E Vossa Excelência é um exemplo dos mais adequados dessa qualificação, dessa profundidade, desse amor pelo tema. Eu, portanto, uno-me a todas as saudações. Sei quer será uma perda muito grande para o conselho. E tenho absoluta certeza de que sua trajetória foi, é e será brilhante nos próximos passos que sua carreira lhe proporcionará. Mas, acima de tudo, eu queria dar um depoimento pessoal da sua generosidade. O senhor, em outras situações que não interferem no nosso vínculo, demonstrou para comigo um grau de confiança, de generosidade, que serei lhe imensamente grato. Isso demonstra algo que foi muito salientado nas palavras do nosso coordenador, que é um dos sentidos da palavra lhaneza, ligado a essa franqueza, essa capacidade de ser transparente, mas acima de tudo, de saber se colocar no lugar do outro. E essa alteridade é o que nos torna muito humanos. Portanto, em um ambiente em que a tecnologia e a artificialização de tudo é central, permanecer demasiadamente humano é uma característica absolutamente louvável. Saia daqui com nossa amizade, admiração, e a certeza de que essas palavras não são vãs, nem são vazias, não são ocas, são sinceras. Muito obrigado, embaixador.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Otávio. Thiago.

Thiago Camargo: Embaixador Benedicto, está na hora de contar tudo o que aconteceu nessas viagens.

Embaixador Benedicto Fonseca: Fazer o contraponto.

Thiago Camargo: Muita gente falando em lhaneza. Primeiro, antes de fazer uma homenagem a você, Benedicto, eu quero fazer uma homenagem ao Luiz Fernando. Eu cheguei à seguinte conclusão: viva sua vida de uma maneira em que um dia você receba uma homenagem do Luís Fernando. O que é isso. Até lembrei da palavra lhaneza, que eu não lembrava, e foram palavras que eu acho que, tirando a brincadeira que sempre faço, são muito auspiciosas, por de fato trazer o sentimento de muita gente. Eu estive com o Benedicto já em muitas e boas situações. Não só com o Benedicto, mas também com outros pares do Itamaraty, e o Benedicto tem uma característica muito própria e muito admirável, que é utilizar o seu espaço para conseguir fazer com que outras pessoas funcionem melhor. Eu tenho muito tempo em governos e raras vezes encontrei gente que tivesse essa capacidade. Gente que sabe seu tamanho, que sabe sua importância, e que não utiliza isso para sombrear outras pessoas, mas para tirar das outras o seu melhor. Em várias ocasiões eu estive com você, e nas várias ocasiões em que estive, eu me senti mais seguro para realizar meu trabalho, eu me senti mais confiante para representar o Brasil. Então você é o Brasil que eu quero. O Brasil que eu quero é o Brasil de gente como você, que não só representa bem o país, mas que faz com que outras pessoas, outros brasileiros, sintam-se melhores a respeito de si mesmo, e que possam contribuir mais e mais. Muito obrigado pela parceria de sempre. Espero passar frio te visitando em Boston em breve.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Thiago. Parajo.

Eduardo Parajo: Bom, vai ficando fácil. Conforme vai passando, o pessoal já vai falando, falando, e você fica pensando: “o que eu vou falar agora?”. Tantos elogios, mas acho que um dos pontos principais é esse espírito público que o senhor tem. Realmente impressionante a capacidade de lidar com conflitos, com situações adversas, sempre com esse nervosismo da casa do senhor. Que nem o senhor está agora, nervoso. É impressionante essa serenidade que o senhor toca. Foi um prazer. E com certeza pode fazer a lista das pessoas que irão visitá-lo em Boston, que, com certeza, será um prazer. Obrigado.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Parajo. Percival.

Percival Henriques: Eu acho que eu não tenho muita facilidade em fazer coisas formais, e às vezes eu sou muito de ver algumas coisas pelo lado pessoal, até porque sou sempre muito intenso nas coisas, e falo o que penso, o que sinto, para o bem ou para o mal. Pode ser um defeito, mas tratando-se do embaixador Benedicto, eu estava aqui lembrando da primeira reunião que eu vim no CGI, que veio também o embaixador Benedicto. Eu logo chamei ele de senador. E, na sequência, fomos analisar o orçamento, e o orçamento era oito milhões e setecentos e cinquenta e tantos, alguém arredondou. Ele olhou os itens de duas páginas e falou: “a conta está errada”. Alguém falou: “a gente arredondou e tal, um detalhe”, mas ele falou: “a conta está errada”. O colega que estava lá disse: “rapaz, esse cara é fora da curva, ele faz um memorando de duas páginas em inglês, português ou espanhol e depois não revisa uma vírgula”. É um cara que tenho que prestar atenção. Foi isso que me disseram. Mas depois é o seguinte, temos algumas questões que são deficiência, e eu acho que personalidade e generosidade de pessoas como o embaixador Benedicto fazem com que essas coisas sejam mitigadas. Se eu pensar na minha trajetória aqui no CGI, as coisas que eu considero mais importantes, inclusive do ponto de vista de resultado, foram capitaneadas pelo embaixador. Por exemplo, Francilene falava do Brasil-Canadá. O fato de convencer Francilene a participar do CGI vem de dois anos antes do CGI porque a gente envolveu ela com um processo, que inclusive para a Paraíba foi extremamente importante, para o Brasil na relação Brasil-Canadá. Depois daquele Brasil-Canadá, segundo a câmara de comércio, o Brasil negocia oito bilhões com o Canadá. Investe oito bilhões no Canadá. Investimentos diretos, porque indiretos eles não conseguem contar. A partir daquele negócio. A Paraíba hoje tem um programa de jovens que vão fazer intercâmbio no exterior chamado Gira Mundo, que está premiado, que tem pessoas que mudaram a vida em função disso. Não foram só aqueles dois anos, foram os programas que aconteceram apesar dos percalços. No meio tivemos o Snowden, tivemos five eyes e tal. E aí o embaixador Benedicto, após a questão da Amazon, as nossas conversas informais – eu lembro, em Busan nós andamos nos lugares escuros, não sabíamos se era perigoso ali – conversamos sobre coisas mais interessantes, que eu lembro até hoje. Então isso, do ponto de vista pessoal, é uma referência extremamente importante. Referência, admiração e tal. Então acho que são essas coisas que valem quando falamos que fulano foi bom e tal. Então eu sou extremamente prático e consigo avaliar as coisas de uma forma meio dura. Eu só consigo me expressar sobre o que posso medir. Não sou nem muito bom com o português, com a linguagem, eu gosto mesmo de matemática. Então quando daquela conta de cabeça, do orçamento de oito milhões, duas páginas de itens. Então foi a primeira coisa, e gostaria de lembrar disso agora, porque eu consigo medir, talvez não na total extensão, porque talvez eu não seja tão bom em achar o depois da vírgula, mas o embaixador Benedicto é uma das pessoas que posso garantir que posso medir todos os benefícios que trouxe para esse comitê e para os demais setores que eu me relaciono. Então isso tive que listar aqui. E, por último, eu acho que – algumas pessoas já falaram aqui, e foi uma de nossas conversas – como foi difícil, talvez não para o embaixador, mas seria difícil para qualquer pessoa, tratar de um assunto novo no mundo, diverso da prática de uma instituição centenária, que é o Itamaraty, falamos disso várias vezes. Algumas vezes o embaixador era criticado dentro das polêmicas causadas aqui. Eu defendo o multissetorialismo, então quando se fala em multissetorialismo é como se fosse uma coisa que viesse pronta. O Itamaraty ainda não está pronto para o multissetorialismo. Nenhum governo do mundo, nenhuma diplomacia do mundo está pronta para o multissetorialismo. São bilaterais. Ou multilaterais, quando muito, mas o multissetorialismo é algo novo. E o embaixador Benedicto é um dos construtores disso. Eu acho, inclusive, que se eu tivesse que fazer uma sugestão para um ensaio no mundo dos textos, no mundo da pesquisa, eu diria que o embaixador Benedicto seria a pessoa que poderia escrever sobre isso, porque é inovação. Então você conseguir passar seis anos, sete anos, oito, não lembro quanto tempo está aqui... oito anos. Oito anos cuidando de um tema. Sendo atacado – às vezes com fogo amigo – dentro desse processso de multissetorialismo, onde todos estão treinados – e muito bem treinado – para a relação multilateral, conseguir levar para lugares como o GAC – quando era fechado eu já fui expulso algumas vezes da sala do GAC, hoje não existe mais isso. Enfim, é a personalidade do Benedicto que eu quero levar como referência para o resto da minha vida nessa coisa de internet. Obrigado.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Percival. Nivaldo, por favor.

Nivaldo Cleto: Embaixador Benedicto, parabenizo por todo esse trabalho realizado em prol da internet, representando o governo brasileiro. Sou testemunha de quantas e quantas horas dedicadas em prol da internet nas reuniões do GAC, nas internacionais da ICANN, que nós participamos, e a sua perseverança, trabalho, sua liderança, juntamente com os outros representantes dos outros países. Sempre o embaixador Benedicto defendendo os interesses do Brasil. Eu aprendi muito com você, sua bondade, sua pessoa, sua capacidade. Que bom a sua pessoa para o Comitê Gestor da Internet, a sua passagem por aqui. Você merece essa promoção que você teve, que você seja feliz com a família, e será sempre bem lembrado aqui nessa casa. Muito obrigado por participar desse nosso time, e tudo o que o pessoal falou, eu ratifico. Fantástico. Sucesso para você. Muito obrigado por tudo.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Nivaldo. Francilene.

Francilene Garcia: Só queria acrescentar, embaixador, ao que já foi dito aqui: acho que a sua conduta aqui foi tão diferenciada, que se puder registrar de alguma forma, acho que será fantástico para quem vai chegar aqui, e para a continuidade das discussões no nível de qualificação, de sensatez e equilíbrio, que foi conduzido ao longo desses anos. Então se puder registar de alguma forma que seja, será muito bem-vindo para todo mundo.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Francilene. Flávia.

Flávia Lefèvre: Bom, eu ao contrário de alguns aqui, estou aqui desde 2014, então pude, nesses quatro anos, aprender muitíssimo com o Benedicto, não só nas questões de mérito que foram discutidas aqui, que eram novas para mim, e que você foi uma referência para eu fechar opiniões, para eu entender o que estava acontecendo, mas também na forma de tratar os assuntos, como se abrir. O meu primeiro contato foi ainda na época do NETmundial, que foi justamente em abril de 2014, e eu ainda não tinha começado no CGI, comecei um pouco depois. E pude ver a importância da sua atuação, da sua forma de atuação, que todos já referiram aqui. De como você é sereno e aberto, e permite de fato que as pessoas se coloquem. E acho que essa sua forma de ser, essa característica pessoal, é que faz você ser um defensor do modelo multissetorial, de uma forma tão firme, tão forte, tão segura, tão consistente. Eu, como representante do terceiro setor, posso dizer que tudo que eu trouxe para cá do setor que eu represento, das entidades com as quais eu estou relacionada, foi de fato considerado em todas as conversas que tivemos aqui, bem como conversas que tivemos fora daqui. Me senti ouvida, me senti considerada, senti que os interesses e valores que eu tento trazer para cá foram de fato considerados, e eu acho que, por essa sua característica é que você é um defensor e um representante do modelo multissetorial, que deve ser de fato registrado aqui. E acho que nesse momento, para mim, fica um gostinho de tristeza, porque estamos em um momento não de mudança só seu, mas em um momento de mudança também do nosso país. Passamos por um processo eleitoral, a gente está olhando para frente em uma perspectiva um pouco de incerteza do que vai acontecer pela frente. Então registrar a sua forma de conduzir as coisas. E a importância que você dá para o CGI como instituição de governança da internet é algo muito importante, e que eu espero mesmo que fique registrado aqui, e que possa servir de referência, de orientação e de diretriz para quem venha aqui ocupar seu lugar. Muito obrigada pela sua dedicação, pelo seu espírito público, pelo seu exemplo, e te desejo toda a sorte do mundo, para você e sua família. Muito obrigada.

Luiz Fernando Castro: Obrigado, Flávia. Demi.

Demi Getschko: Eu estava guardando algum trunfo aqui, porque já foi falado quase tudo. A Flávia acaba de me roubar o último, que era da NETmundial, mas tudo bem. Acho que, primeiro, tivemos essa riquíssima contribuição do embaixador Benedicto em uma escala muito rápida. Ele rapidamente passou a ser uma fonte grande de apoio e solidez ao que a gente faz. Sabemos que a internet começa em uma área mais acadêmica, depois vem, talvez, o pessoal do setor privado. Rapidamente a parte de governo assume também esse negócio, e quando o embaixador passa a fazer parte das nossas discussões e, particularmente do GAC, ele dá uma extrema solidez aquilo que era, talvez, mais paixão do que razão do pessoal mais acadêmico. Primeira coisa é isso, vestir formalmente argumentos, não só na base da emoção e da paixão, mas também da razão e da serenidade, coisa que ele sempre soube fazer com maestria, tanto no GAC quanto nas discussões com o Board da ICANN e tudo mais. No caso específico do NETmundial, em que estivemos no mesmo grupo de geração dos documentos, mostra-se um pico de trabalho, que também é uma característica interessante. Você poder jogar uma quantidade gigantesca de trabalho em pouco tempo, porque tem que ser feito muito rápido. E a capacidade de costurar as alianças, um documento complicado de transitar entre governos, entre a área privada, entre academia e o terceiro setor, e chegar a algo que todos de alguma forma assinam embaixo, que essa é a ideia do consenso. Então, além de ser um batalhador pelo multissetorialismo, é um batalhador pelo consenso. E ganhamos muito com a participação dele aqui, e continua ganhando pelo fato de conhecê-lo e manter a amizade. Boston é uma bela cidade. Cambridge também, é do lado, muito boa também, grandes instituições. Lagosta lá é muito boa, sugiro que experimente a Lagosta de Boston e de Cambridge. As praças são bonitas, o Boston Common e tudo mais. Então eu acredito que, do ponto de vista pessoal, os horizontes são ótimos, e do ponto de vista do CGI, teremos um homem que foi fundamental para nós na região. Obrigado, é isso.

Luiz Fernando Castro: Obrigado Demi. Glaser, por gentileza.

Hartmut Glaser: Amigo Benedicto – eu falo amigo bem consciente. Acho que na primeira semana na sua nova posição no Itamaraty, a gente se conheceu. A Lívia me ligou e falou: “na sua palestra lá na escola de ensino superior em Brasília, uma agenda programada pelo Ministério do Planejamento, vai estar o embaixador Benedicto. Eu vou apresentá-lo”. Oito anos de amizade. Eu não tenho as horas. Provavelmente centenas de horas que nós gastamos juntos, compartilhando desafios, reuniões, principalmente do ICANN, mas acredito que o NETmundial foi muito importante nessa caminhada toda. E eu me sinto muito privilegiado de tê-lo conhecido. E acredito que continuaremos nosso relacionamento. Viajamos algumas vezes para diversas cidades. Trabalhamos juntos. E eu só tenho uma palavra: admiro sua forma de agir; sua luta por princípios e valores; essa transparência total no seu ser. E eu aprendi com os outros, principalmente no GAC, como admiram o Benedicto. Você não é uma pessoa qualquer. Você tem o nosso respeito, mas tem também o respeito internacional. E disso eu sou testemunha. Eu participei, recebi muitas vezes mensagens, perguntas e referências. Acho que o Brasil, se está hoje na fotografia internacional da internet, através de seu modelo multissetorial, deve muito ao Benedicto. Sucesso lá em Boston, e a nossa amizade vai continuar, com certeza. Obrigado por tudo.

Luiz Fernando Castro: Obrigado a todos que prestaram homenagem. Vou franquear a palavra ao homenageado porque eu acho que ele gostaria de arrematar.

Embaixador Benedicto Fonseca: Obrigado. Depois disso tudo é até difícil, é emocionante. Muitas vezes nas reuniões o pessoal diz assim: “vou ser rápido porque só estou eu entre vocês e o almoço”. Mas geralmente quando as pessoas falam isso, ficam falando mais meia hora.

Hartmut Glaser: Não tem mais almoço, já fecharam o restaurante, vamos ficar direto hoje.

Embaixador Benedicto Fonseca: Já fecharam? Então vamos fazer jejum. Eu quero dizer que me sinto muito honrado com todas essas manifestações. O Otávio comentou que muitas vezes temos muitas cerimônias de despedida na nossa carreira, porque passamos um tempo em um lugar, aí no outro, então são muitas despedidas, muitas chegadas. Mas muita coisa feita de modo protocolar, porque precisa ser feito. Embaixador está saindo, tem que falar algumas palavras, enfim. Mas aqui eu recebo isso com muita alegria, com muita emoção tudo o que foi falado, porque são manifestações de pessoas que nos conhecem. Que temos estado nas trincheiras, nos assuntos, trabalhando juntos. É um sabor diferente você receber o reconhecimento de pessoas que tem esse nível de entendimento, de intimidade. É diferente. Para vocês terem ideia, dessas várias situações, uma que eu me lembro quando estava um uma missão em Nova York, junto às Nações Unidas, um colega da Argentina com o qual estava trabalhando há muitos anos, por três anos, eu preparei um documento e falei: “mas você precisa ver porque vamos circular para o G37 como um todo, quero que a Argentina...”. Aí ele falou assim: “é você que preparou? Então não preciso ver”. Então, são essas manifestações que você recebe de modo diferente porque são pessoas que estão ali, têm uma responsabilidade, sabe que não pode falhar, e estão confiando. Então recebo isso de modo especial da parte de vocês. Fico muito honrado. Inclusive, vocês fizeram eu me lembrar de coisas que eu já não lembrava. Essa questão da conta eu realmente não lembrava. A primeira vez que nos encontramos, professor Glaser, e outros que estão desde o início, o Demi também, desde o início. E outros que foram somando, revezando. Eu tive a oportunidade de conviver com muitos conselheiros. Seria até injusto mencionar alguns deles porque faltariam muitos outros. Mas quero agradecer de maneira especial ao Max, pelas palavras, muito obrigado. Você e todos os outros que se manifestaram. Lembrando pessoas como o Virgílio, como tantos outros que passaram aqui. E eu quero dizer o seguinte: acho que é muito bom quando fazemos uma coisa em que acreditamos. Que nos engajamos, não por uma questão protocolar, não por obrigação, mas porque você acredita nisso. Eu acredito nisso, eu acredito que esse modelo, essa forma é um paradigma, não só para internet, mas para muitas outras coisas. E acho que a internet é a área onde isso pode realmente mostrar que é possível, e a partir dali poder ser passado para outras áreas. Eu não poderia ter tido o tipo de participação que eu tive – e agradeço as referências – sem esse enriquecimento das posições que fazemos aqui. Esse modelo em que todos nós podemos estar aqui, cada um contribuindo com sua visão, com sua perspectiva. Isso é algo muito enriquecedor pessoalmente, profissionalmente. Eu creio que a minha passagem pelo CGI é uma das experiências mais enriquecedoras da minha carreira. De você poder confrontar pontos de vista. Muitas vezes você entende a perspectiva. Pode até não concordar, mas você vê de onde que está vindo, e a legitimidade daquela posição, como aquilo vai se imbricar. É um exercício, como foi ressaltado aqui, que leva a um crescimento pessoal e profissional muito grande. Eu agradeço a vocês. Eu fico até constrangido de ouvir as pessoas dizendo que aprenderam comigo, fui eu que aprendi com vocês. Costumo dizer que a gente do Itamaraty tem uma função específica, faz uma ou duas coisas assim... A gente faz certas coisas, independente do assunto. A forma que eu vejo o Itamaraty atuar é justamente no sentido de aproximar e poder traduzir os inputs que recebemos que não são nossos. Quer dizer, governança da internet, para mim, há oito anos atrás, se me dissessem, não saberia nem o que era. Então não é algo nosso. Nós temos os instrumentos para transformar o que recebemos em posições, em manifestações que possam servir ao país. E esse foi meu objetivo, fico contente de ver esse reconhecimento. E torço, também, para que seja algo que continue. No que depender de mim, no Itamaraty, vamos dar continuidade. Eu tive um chefe no Itamaraty que dizia o seguinte: o Itamaraty tinha duas vantagens em relação à Esplanada, que era ter uma pasta com furinho, porque aí você anda pelo corredor e a pessoa vê se tem papel dentro ou não; e tem maço de assunto. Ou seja, tudo o que fazemos fica registrado. Você tem telegrama de instruções, telegrama de relatório, os documentos. Então quem vier, pode ser até que eu não tenha oportunidade de conversar, mas vai poder saber tudo o que aconteceu para poder dar a continuidade dali. Isso é algo que sempre fiz questão, pessoalmente, e as pessoas que trabalham comigo também, de mantermos um registro na instituição de tudo o que fizemos. Eu falo: “isso aqui pode até ser para nós na próxima reunião, mas é um legado que vai ficar par quem vier”, e que vai precisar. Porque pela natureza da nossa profissão, a gente não fica no mesmo lugar muito tempo. Esses oito anos que eu fiquei aqui foram realmente até uma excepcionalidade. Na minha carreira nunca fiquei tanto tempo em um lugar. E aí por interesse pessoal e profissional, também devo dizer que a própria participação nesse processo é algo tão viciante – por falta de uma palavra melhor – que acho que até já deveria ter saído antes, mas eu achei importante ficar, acompanhar certos processos. Também do ponto de vista pessoal, tivemos fatores que levaram a isso. Então agora, indo para Boston, realmente espero que, da minha parte, continue engajado. A proposta comentada pelo Thiago, pelo Percival e outros, de procurar, aproveitar lá para aperfeiçoar, de repente deixar um registro, acho que é algo que, se o trabalho lá permitir – porque a região de Boston, Massachusetts, e ali a jurisdição do consulado, é onde tem mais brasileiro no mundo todo, são mais de trezentos e cinquenta mil brasileiros. Agora nas eleições passadas, foi o maior colégio eleitoral fora do país, mais de trinta e cinco mil eleitores. No segundo lugar viria Miami. Eu sei que terei muito trabalho lá, um desafio, mas espero ter tempo e energia para continuar me dedicando a esses assuntos que me deram muito prazer, muita satisfação pessoal, muito enriquecimento pessoal, e eu quero terminar agradecendo a cada um de vocês. Foi um privilégio para mim ter estado aqui. Privar desse convívio de pessoas realmente qualificadas. E repito, não poderia, como a Flávia comentou... as conversas que tivemos, o Demi... Cada um aqui trazendo um elemento, foi muito enriquecedor. É um misto de alegria e tristeza por deixar isso. E fico muito honrado com essas manifestações com essa cerimônia aqui. Muito obrigado. Até Boston.